Júri de casal acusado de tentativa de homicídio em Chapecó deve durar dois dias

Com atraso de pouco mais de uma hora, teve início na manhã desta terça-feira (10) o primeiro dia de julgamento de uma cartomante e o marido, acusados de participação em tentativa de homicídio qualificada pelo crime ter sido cometido mediante paga ou promessa de recompensa e pelo emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. A ré ainda responde por ter constrangido uma mulher a efetuar pagamento de quantia econômica, mediante grave ameaça de morte contra ela e o neto.


Depois do sorteio dos sete jurados – três mulheres e quatro homens -, começou a oitiva presencial das testemunhas de defesa. Onze pessoas foram arroladas, das quais nove compareceram, dentre elas a vítima. Mesmo estando no fórum, todos foram ouvidos por sistema de videoconferência, em sala separada. A previsão é de que o intervalo de almoço seja realizado das 12h às 13h30. Após ouvir as testemunhas, terá início o interrogatório dos réus e, na sequência, as apresentações de acusação e defesa.


O julgamento acontece no Salão do Tribunal do Júri, do fórum da comarca de Chapecó. O representante do Ministério Público, Moacir José Dall Magro, atuará na acusação. A defesa está a cargo do advogado Claudio Dalledone Junior que conduz uma equipe de cinco pessoas. A sessão está sob presidência do juiz André Milani, da 2ª Vara Criminal.


Este é o segundo júri relativo ao caso. O autor dos disparos foi julgado em 25 de novembro do ano passado. Ele foi condenado a 15 anos e oito meses de prisão, em regime fechado, por tentativa de homicídio qualificado por crime cometido mediante paga ou promessa de recompensa e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A sentença também inclui as penalidades por porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada e uso de documento falso (Autos número 0005753-74.2019.8.24.0018).


A acusada de encomendar o crime aguarda julgamento de recurso para, posteriormente, ser submetida ao tribunal do júri. De acordo com a denúncia, essa mulher procurou a cartomante em busca de reconciliação com o ex-marido, que se encontrava em novo relacionamento. Como o feitiço – que custou cerca de R$ 300 mil – não deu certo, a cartomante propôs o homicídio da atual companheira do homem.


Um atirador foi contratado, pelo marido da cartomante, para executar o crime e recebeu a orientação de simular um latrocínio (roubo seguido de morte). Dos R$ 35 mil prometidos, R$ 15 mil foram pagos antecipadamente.


Na tarde de 3 de junho de 2019, três disparos atingiram a cabeça da vítima, que foi socorrida a tempo de se recuperar. O autor dos disparos, de nacionalidade paraguaia, fugiu em uma motocicleta e foi preso minutos depois. Ainda segundo a denúncia apresentada, a cartomante, então, exigiu mais dinheiro da mulher, a fim de sair da cidade com o marido. Sob ameaça de morte contra ela e o neto, a mulher entregou cheques no total de R$ 800 mil, dos quais R$ 90 mil foram compensados (Autos número 5027944-57.2021.8.24.0018).

Fonte: TJSC